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Compreendendo os Comestíveis: Um olhar sobre as diferentes formas de preparo dos produtos infusionados com cannabis

17 janeiro 2025
Quando se trata de consumir cannabis, é importante entender que nem todos os comestíveis são iguais...
17 janeiro 2025
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Compreendendo os Comestíveis: Um olhar sobre as diferentes formas de preparo dos produtos infusionados com cannabis

Conteúdos:
Lê mais
  • 1. O veículo
  • 2. A cannabis
  • 3. O consumidor

Quando se trata de consumir cannabis, é importante entender que nem todos os comestíveis são iguais. Além de serem processados pelo nosso corpo de maneira diferente do que fumar a erva, as formas de infusão também influenciam nos efeitos. 

 


Comestíveis podem ser um remédio poderoso. Eles têm a capacidade de acalmar a mente enquanto aliviam a tensão e a dor no corpo físico. Eu os utilizo como uma forma de sair de períodos mentais negativos e voltar para um estado mais saudável e otimista. Para mim, comestíveis são grandes resets—lembretes de gastar menos tempo rolando o Instagram e mais tempo me conectando no mundo real. Eu como 10 miligramas e faço longas caminhadas silenciosas. Mastigo uma goma antes do yoga para alongar mais—e ficar progressivamente mais chapado—antes da imobilidade restauradora da postura cadáver.

 

Comestíveis podem ajudar a olhar para dentro e chegar mais perto de responder as grandes questões da vida.

Comestíveis podem ajudar a olhar para dentro e chegar mais perto de responder as grandes questões da vida.
  

Assim como fumar flores de cannabis, os comestíveis me ajudam a olhar para dentro e chegar mais perto de respostas para as grandes questões da vida como: “Qual é o sentido do que estamos todos fazendo aqui?” Mas encontrar a dose certa de THC infusionado com cannabis foi um processo longo de tentativa e erro. E eu não estou sozinho. Praticamente todo mundo que experimentou comestíveis tem uma história de quando exagerou e ficou muito chapado. Quem já usa sabe que também existem unicórnios entre nós, aquelas pessoas que podem comer ou beber o quanto quiserem e não sentem efeito algum. O que acontece? 

Desvendar a complexidade dos comestíveis é quase tão complicado quanto entender códigos de programação. Mas há formas de decifrar os dados e alcançar aquele momento de insight, e tudo começa com um olhar sobre como os comestíveis são feitos.

O Veículo

Hidrofóbico. Lipofílico. É vocabulário científico, mas a primeira palavra significa coisas que não se misturam com água e a segunda se refere à afinidade por gordura, ou lipídios. A cannabis é ambas as coisas. A maior parte das propriedades medicinais da nossa flor favorita está em suas glândulas resinosas e pegajosas, os tricomas.

 

Toda a riqueza da cannabis está nas glândulas de resina.

Toda a riqueza da cannabis está nas glândulas de resina.
 

“Toda a riqueza e os efeitos psicodélicos estão nessas glândulas de resina,” explica a especialista em cannabis Elise McDonough. “E como são óleo, é como preparar um molho de salada, óleo e água não se misturam.”

 

A cannabis crua não tem os mesmos efeitos que quando foi aquecida ou descarboxilada. Então, para criar comestíveis, flores ou folhas de cannabis são aquecidas e depois combinadas com um veículo como manteiga, álcool, glicerina ou gelatina. Receitas tradicionais com infusão de cannabis vêm de experimentações e receitas antigas, como o bhang, que combina canabinoides com gordura.

 

“Ao fazer isso, fica mais fácil para o seu corpo digerir e absorver os canabinoides e você sente os efeitos com mais intensidade,” afirma McDonough.

 

As gomas dominam quando se trata de comestíveis infusionados.

As gomas dominam quando se trata de comestíveis infusionados.
 

Existem muitos tipos diferentes de comestíveis de cannabis, mas um é o grande destaque: as gomas. Para criar gomas, pode-se usar gelatina como veículo, ajudando a tornar os efeitos dos canabinoides mais pronunciados, mas muitas marcas usam apenas cannabis e açúcar.

 

“O açúcar pode fazer você sentir o efeito mais rápido, mas para mim, pelo menos pessoalmente, as gomas não me mantêm chapada por muito tempo, elas tendem a durar menos tempo do que quando como um biscoito ou brownie,” diz McDonough. “Sinto que esses efeitos são mais longos e intensos, pelo menos no nível do corpo. Então definitivamente acho que existe relação com os outros ingredientes com os quais você mistura [a cannabis].”

A Cannabis

Indo além dos ingredientes usados para ativar os canabinoides nos comestíveis, outro fator que determina o impacto de uma goma, bala ou brownie é o tipo de cannabis usada para criar o produto infusionado. Comestíveis podem ser produzidos com o material vegetal—folhas e flores—mas também, frequentemente, são produzidos com concentrados de cannabis, como destilado, rosin ou ice water hash. Como trabalhar com flores de cannabis nos comestíveis pode resultar naquele gosto herbáceo que a maioria não acha agradável, os comestíveis feitos com concentrados de cannabis assumiram um papel dominante no mercado consumidor. 

 

Trabalhar com flores de cannabis em comestíveis pode resultar naquele gosto herbáceo.

Trabalhar com flores de cannabis em comestíveis pode resultar naquele gosto herbáceo.
 

McDonough compara preparar pratos infusionados com hash a cozinhar com um tempero.

 

“É muito mais fácil cozinhar e medir quando se trabalha com um produto como o hash, que é homogêneo,” ela diz. “Você não precisa se preocupar em separar o material vegetal como numa infusão com flor."

 

“Há muitas vantagens em cozinhar com hash e, pessoalmente, acredito que quando você trata como um tempero, ele adiciona muito a certas receitas, enquanto, ao cozinhar com flor, na maioria das vezes, você tenta mascarar aquele sabor, certo?

Mas quando você cozinha com hash, ele realmente adiciona um sabor único que funciona muito bem com chocolate, caramelo e outros sabores terrosos e picantes.”

 

Em parte devido à aversão de muitas pessoas ao gosto da cannabis, muitos produtos comestíveis são feitos com destilado. O destilado é um concentrado purificado de cannabis que elimina componentes químicos adicionais e é destilado para conter apenas um canabinoide selecionado, como THC ou CBD. Nas minhas próprias experiências com comestíveis, percebi que quando uma goma é feita com hash em vez de destilado, não importa se ambos têm os mesmos miligramas de THC, o efeito das comestíveis com hash é mais forte.

 

Comestíveis são frequentemente feitos com destilado para evitar aquele gosto herbáceo.

Comestíveis são frequentemente feitos com destilado para evitar aquele gosto herbáceo.
  

De acordo com cientistas dos canabinoides como Raphael Mechoulam, o renomado químico israelense que foi dos primeiros pesquisadores a definir o fenômeno conhecido como efeito entourage, isso ocorre porque os compostos da cannabis atuam melhor em sinergia uns com os outros do que isoladamente. No marketing de comestíveis você vai ver o termo “full spectrum”, que significa que eles contêm toda a gama de propriedades da planta, em vez de um único elemento isolado.

 

Wendy Baker, proprietária de um dos meus comestíveis favoritos, a Space Gem, cria seus produtos de gomas com gordura—óleo de coco—e ice water hash. “Gosto do fato de o tricoma permanecer inteiro,” diz Baker sobre a escolha de criar Space Gems com ice water hash em vez de destilado.

O Consumidor 

A complexidade de entender como a cannabis funciona acontece a nível celular. A planta interage com os receptores em nosso corpo como parte do sistema endocanabinoide. Os receptores de canabinoides estão em praticamente todos os órgãos do corpo. Eles se ligam tanto a substâncias produzidas internamente, os endocanabinoides, quanto aos compostos da planta de cannabis, os canabinoides, para manter sistemas como o nervoso ou digestivo em equilíbrio.

 

Os canabinoides interagem com receptores no nosso corpo como parte do sistema endocanabinoide.

Os canabinoides interagem com receptores no nosso corpo como parte do sistema endocanabinoide.
 

Quando fumamos maconha, os canabinoides entram nos pulmões, depois no sangue e no cérebro. Quando comemos ou bebemos cannabis, os canabinoides chegam ao estômago, depois ao fígado, e finalmente ao sangue e ao cérebro. Nosso fígado converte o THC em uma forma mais potente—11 hidroxil THC em vez de delta 9 THC—o que aumenta a intensidade e duração do efeito.

Outro elemento importante para entender como os comestíveis funcionam está relacionado à nossa constituição física e dieta. Por exemplo, quem faz dietas ricas em gordura, como keto ou paleo, pode sentir os efeitos da cannabis de modo mais intenso. Pesquisas mostram que esses tipos de dietas podem ser úteis para pessoas com questões como a síndrome do intestino irritável (SII), por causa de como afetam os receptores endocanabinoides no intestino. Além disso, o que você comeu antes de consumir um lanche ou bebida com infusão de cannabis também influencia o quão forte o comestível será sentido. As infusões de cannabis ingeridas provocam efeitos mais fortes quando consumidas de estômago vazio do que após uma refeição.

 

Outro elemento do quebra-cabeça para entender como comestíveis funcionam está ligado ao nosso corpo e dieta.

Outro elemento do quebra-cabeça para entender como comestíveis funcionam está ligado ao nosso corpo e dieta.
 

“Se você quiser um efeito mais intenso, se quiser [um comestível] o mais psicodélico possível, consuma de estômago vazio,” aconselha McDonough.

Por fim, há quem simplesmente não consiga ficar chapado com comestíveis, não importa quantos miligramas consuma. Uma teoria para explicar isso aponta para o metabolismo individual e especula que essas pessoas têm níveis mais altos da enzima digestiva CYP2C9.  “A CYP2C9 é expressa em microssomos hepáticos humanos e no trato gastrointestinal, e contribui para o metabolismo de aproximadamente 15% de todos os medicamentos processados pelas P450s [um grande grupo de enzimas essenciais no metabolismo de medicamentos],” explica um artigo da ScienceDirect.

 

Alguns de nós não conseguem sentir efeito dos comestíveis, não importa quantos miligramas sejam consumidos.

Alguns de nós não conseguem sentir efeito dos comestíveis, não importa quantos miligramas sejam consumidos.
  

Um estudo sobre THC sintético conhecido como Dronabinol, ou Marinol (nome comercial), mostra que pessoas com baixa atividade da CYP2C9 têm maior probabilidade de sentir o efeito do THC por via oral. Quem tem mais da enzima processa o THC mais rápido, então não sente tanto efeito da cannabis ingerida. A jornalista de cannabis Brit Smith diz que é uma dessas pessoas que não ficam chapadas de comestíveis, independente da dose.

 

Consigo tomar uma bebida de 100 miligramas e as pessoas pagam para ver, como se fosse um espetáculo de circo,” comentou Smith no podcast Puff Puff Press.

 

Isso explica porque entender comestíveis pode parecer tentar desembaraçar uma caixa de cabos elétricos. Todos esses fatores mostram que os comestíveis envolvem processos científicos complexos. No entanto, para quem se dedica a testar abordagens diferentes, os benefícios dos comestíveis e de como podem melhorar a vida são muitos. 



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