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Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada

23 abril 2021
A CHS é algo com que devemos nos preocupar? Descubra tudo sobre o assunto e forme sua opinião
23 abril 2021
12 min read
Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada

Conteúdos:
Lê mais
  • 1. O que é síndrome da hiperêmese canabinoide ou chs?
  • 2. Identificando os sintomas da síndrome da hiperêmese canabinoide
  • 2. a. O problema da legalização e estigma em relação ao uso de maconha
  • 3. Diagnóstico e estatísticas da síndrome da hiperêmese canabinoide
  • 3. a. Estatísticas do uso de cannabis nos eua e chs
  • 3. b. Como a síndrome da hiperêmese canabinoide é diagnosticada?
  • 4. Por que a maconha causaria a síndrome da hiperêmese canabinoide?
  • 4. a. Opiniões contrárias sobre as teorias existentes
  • 5. Quais tratamentos existem para a síndrome da hiperêmese canabinoide?
  • 5. a. Por que banhos quentes ajudam a melhorar a chs?
  • 6. A síndrome da hiperêmese por cannabis é realmente nova?
  • 7. Conclusão

O que acontece quando o tratamento da sua condição de saúde se torna a própria condição? Estudos recentes descobriram que o uso severo e prolongado da maconha pode levar a um distúrbio conhecido como Síndrome da Hiperêmese Canabinoide, CHS. Embora a cannabis, do ponto de vista médico, tenha sido normalmente vista como um antiemético, ou seja, que ajuda contra a náusea, esses novos estudos encontraram um padrão entre pacientes que usam maconha medicinal no qual ocorre exatamente o efeito oposto: náusea extrema e vômito

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Descubra tudo sobre a CHS.

Descubra tudo sobre a CHS, ou Síndrome da Hiperêmese Canabinoide.
 

Então, qual é a relação entre o uso de cannabis e esses vômitos extremos? A resposta pode ser a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide, embora esta seja uma condição tão nova que mais investigações ainda precisam ser feitas. Vamos entender tudo o que se sabe sobre a CHS e desvendar o que é esse novo distúrbio ligado à maconha.

1. O Que é Síndrome da Hiperêmese Canabinoide ou CHS?

Como o nome indica, a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide, também conhecida como Síndrome da Hiperêmese por Cannabis, é um distúrbio pensado para ser causado pelo uso intenso e prolongado de maconha. 1 Hiperêmese é um termo usado para se referir a casos de vômito extremo; hiper-, do grego, significa extremo, e -êmese significa vômito. Por exemplo, algumas mulheres durante a gravidez podem desenvolver uma condição chamada Hiperêmese gravídica, que é esse caso de náusea persistente e vômitos severos, muito além do enjoo matinal comum. 2

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Causas

Sintomas da CHS incluem vômitos severos e dor abdominal.
 

Mas como a maconha, que muitas vezes é prescrita para aliviar sintomas de náusea ou vômito em pacientes submetidos a outros tratamentos médicos, como no caso de CINV (náusea e vômito induzidos por quimioterapia em pacientes com câncer), pode acabar levando ao efeito contrário?

Bem, vamos tentar identificar os sintomas e possíveis causas da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide antes de tirarmos qualquer conclusão. 

2. Identificando os Sintomas da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide

Assim como em qualquer outro caso de doença médica, o primeiro passo é identificar um padrão de sinais e sintomas da doença. Esse é justamente o primeiro passo que um médico ou outro especialista tomaria quando consultado: perguntar exatamente o que estamos sentindo ou vivenciando. 

Pedir essas informações é necessário para tentar restringir as possibilidades desta ou daquela condição. No caso da CHS, os sinais e sintomas são divididos em três fases diferentes:

 

 

Fase 1:

Fase Prodrômica

 

A fase prodrômica pode durar vários meses ou anos. Durante essa etapa, os principais sinais incluem enjoo matinal, náusea e dor abdominal. 

 

Fase 2:

Fase Hiperemética

 

Durante essa fase, os episódios de náusea e vômito se tornam altamente repetitivos, assim como a dor abdominal. Os pacientes provavelmente buscarão atendimento e tratamento médico.

 

Fase 3:

Fase de Recuperação

 

A condição é finalmente reconhecida e diagnosticada. Pacientes que interrompem o consumo de cannabis entram na fase de recuperação. Vômitos e náuseas cessam.

 

Como citamos no quadro acima, na primeira fase da CHS, a fase prodrômica, o paciente pode sentir dor anormal na área abdominal e até vômitos ou náuseas matinais. No entanto, a maioria das pessoas com esses sintomas ainda não modifica seus hábitos alimentares. 3

Ao mesmo tempo, como a cannabis é frequentemente considerada um tratamento eficaz para náusea e vômito, os pacientes geralmente recorrem ao consumo de diferentes formas da planta na tentativa de parar a náusea. Outro sintoma comum é desenvolver medo de vomitar

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Sintomas

Os sintomas são divididos em três fases: pródromica, hiperemética e de recuperação.
 

Durante a segunda fase da doença, a fase hiperemética, as coisas tornam-se evidentes demais para serem ignoradas. Os sinais e sintomas nessa fase incluem: 

  • Sensação contínua de náusea;
  • Episódios repetidos de vômito – já houve relatos de até 40 vezes em um dia. 4
  • Dor abdominal ou na barriga;
  • Mudança nos hábitos alimentares, diminuição da ingestão de alimentos;
  • Perda de peso notória;
  • Desidratação e outros sinais de perda de líquidos;
  • Padrões de sono prejudicados;
  • E padrões anormais de banho, como medida para aliviar os sintomas. 

Na fase hiperemética, os episódios de vômito frequentemente se tornam extremamente intensos e podem ser avassaladores, levando ao medo de vomitar. Normalmente, quem sofre esses sintomas busca ajuda médica nessa fase. Uma vez diagnosticada por um médico, a fase só desaparece após o paciente parar de usar maconha em qualquer forma. Quando isso ocorre, inicia-se a fase de recuperação. 

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Padrão de sintomas

Primeiramente, será preciso identificar um padrão de sinais e sintomas da doença.
 

Durante essa fase final do distúrbio, o paciente finalmente conseguirá recuperar o apetite e normalizar os horários das refeições. Os episódios de náusea e vômito diminuem e, por vezes, até desaparecem completamente; o peso corporal pode ser recuperado e o hábito de tomar banho retorna ao normal. 

A fase de recuperação pode levar dias ou semanas para apresentar mudanças notáveis. Contudo, os sintomas geralmente voltam se o paciente voltar a consumir cannabis. Agora, há um grande problema em relação ao diagnóstico e à recuperação da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide – e trata-se principalmente do status legal e da aceitação social da maconha. 

O Problema da Legalização e Estigma em Relação ao Uso de Maconha

Apesar do uso medicinal da maconha estar sendo cada vez mais aceito em vários países, as questões legais e a falta de informações sobre a substância podem ser um grande obstáculo para o reconhecimento da CHS.

Primeiramente, onde o uso da cannabis ainda não é legal, nem para fins medicinais nem recreativos, os usuários podem não se abrir para seus médicos sobre o uso da erva ou as reais quantidades por medo de julgamentos ou represálias. Além disso, por acreditar que a maconha alivia a náusea e reduz o vômito, o paciente pode achar irrelevante e desnecessário relatar ao médico seu uso frequente e prolongado de cannabis, o que leva ao próximo problema no diagnóstico da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide. 

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Muita pesquisa ainda precisa ser feita sobre a CHS.

Muita pesquisa precisa ser feita sobre a CHS antes de qualquer conclusão.
 

A falta de informação e o apelo por investigações sobre a cannabis nunca foram tão evidentes como ao analisarmos a CHS. Primeiramente, essa é considerada uma condição relativamente nova, embora veremos adiante que isso não é totalmente verdade. E, por ser um distúrbio considerado novo ou negligenciado, muitos médicos ainda nem conhecem sua existência; assim, como poderiam diagnosticá-la em seus pacientes?

Outro problema decorrente dessa falta de informação é que não há tratamentos reais além de banhos quentes e da interrupção do uso de cannabis. Mas, como algo eficaz poderá ser encontrado se ninguém está pesquisando? Essa desinformação pode, na verdade, acarretar riscos ainda maiores – talvez exista uma causa de base que permanece sem atenção.

O chamado à pesquisa sobre CHS deve ser colocado em destaque. Com a crescente legalização da maconha mundialmente, os casos de Síndrome da Hiperêmese Canabinoide já estão em ascensão, pois mais pacientes passam a usar a cannabis medicinal para tratar outros problemas de saúde. 

3. Diagnóstico e Estatísticas da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide

Antes de entrarmos nos diferentes métodos de diagnóstico da Síndrome da Hiperêmese por Cannabis adotados pelos médicos, vejamos alguns números e estatísticas

Estatísticas do Uso de Cannabis nos EUA e CHS

Os Estados Unidos iniciaram a legalização do uso de maconha em 2009. Após o Departamento de Justiça dos EUA publicar um memorando indicando que nem usuários nem vendedores de cannabis medicinal seriam processados, os números referentes ao uso de maconha aumentaram. No entanto, será que esse seria o resultado da liberdade de os usuários se abrirem sobre o uso, em vez de um aumento real no consumo?

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Vômitos cíclicos

Relatos de vômitos aumentaram nos EUA após a legalização da maconha em vários estados.
 

Independente de esse aumento ter sido fático ou não, a porcentagem de vômitos episódicos no país subiu 17,9% quando comparada às taxas anteriores à legalização, e, segundo a Drug Abuse Warning Network (DAWN), o registro de uso da maconha em prontuários médicos cresceu 21% entre 2009 e 2011. 5 6

Desde 2009, os relatos de hiperêmese aumentaram significativamente, e continuam a aumentar cerca de 8% ao ano. De fato, esses aumentos têm sido observados especialmente nos estados dos EUA onde a maconha foi legalizada.

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Visitas ao pronto-socorro relacionadas à cannabis

Visitas ao pronto-socorro relacionadas à cannabis: 2012-2016.
 

Acredita-se que essa condição, antes considerada rara, poderá se tornar um efeito colateral comum do uso intenso e prolongado de cannabis no futuro próximo, à medida que a legalização avança em vários países. 

Como a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide é Diagnosticada?

Quanto ao diagnóstico da CHS, pode haver diferentes caminhos, dependendo do grau de conhecimento da equipe médica e da instituição. Por um lado, um paciente pode passar por inúmeros exames e estudos médicos até que o motivo do problema seja descoberto. Isso é mais comum em locais onde o consumo de cannabis não é amplamente aceito, ou quando há receio dos pacientes em admitir o uso da erva. 

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Diagnóstico

O diagnóstico da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide pode ser fácil se os médicos estiverem atentos ao problema.
 

Nesse cenário de falta de informação, serão necessários vários exames para descartar que outras doenças possam causar os sintomas. Testes médicos comuns incluem:

  • Exames de eletrólitos;
  • Exames de sangue para anemia ou infecções;
  • Testes de enzimas do pâncreas e fígado;
  • No caso das mulheres, testes de gravidez; 
  • Radiografias e testes abdominais para pesquisar obstruções;
  • Endoscopias para verificar esôfago e estômago como possíveis causas do vômito;
  • Tomografia da cabeça e do abdômen para descartar problemas do sistema nervoso ou de outra natureza;
  • Urina para descartar infecções; 
  • E triagens toxicológicas, que podem trazer resultados relevantes. 

Se o paciente com possível CHS encontrar médicos bem-informados, ou se ele já estiver informado antes da consulta, o diagnóstico pode evitar vários desses exames, sendo suficiente uma boa conversa. Mesmo assim, testes são recomendados para garantir que outras doenças não passem despercebidas

4. Por que a Maconha Causaria a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide?

Uma dúvida comum sobre a CHS é como a cannabis, tão utilizada para tratar náusea e vômito, pode causar justamente o efeito oposto? Embora muitas pesquisas ainda sejam necessárias, há algumas teorias e ideias sobre por que isso pode acontecer. 

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Riscos entre consumidores frequentes

CHS afeta o sistema gastrointestinal, gerando diversos sintomas desagradáveis.
 

Maconha, especialmente o THC, ativa os receptores CB1 no corpo, o que pode produzir alguns dos seguintes efeitos no sistema gastrointestinal:

  • Inflamação e dor visceral;
  • Relaxamento do esfíncter esofágico inferior;
  • Inibição da secreção ácida gástrica;
  • Diminuição da motilidade gástrica;
  • E atraso no esvaziamento do estômago.

No entanto, essa teoria de que o uso pesado e prolongado do THC teria efeito antiemético cerebral e, ao mesmo tempo, prejudicaria o trato gastrointestinal, é apenas mais uma das que ainda precisam ser confirmadas

Mas o THC não é o único suspeito na Síndrome da Hiperêmese Canabinoide – caso contrário, seria chamada de Síndrome da Hiperêmese do THC. Outros estudos, tanto em humanos quanto em animais, dos quais não somos favoráveis, encontraram que outros canabinoides, incluindo CBD e CBG e como eles interagem entre si também podem causar efeitos antieméticos ou eméticos, dependendo das quantidades consumidas. 

Opiniões Contrárias sobre as Teorias Existentes

Analisando opiniões contrárias a essas teorias, vê-se a necessidade de ainda mais pesquisa. Uma revisão publicada por um grupo de pesquisadores australianos em 2006 nos faz questionar qual é a verdadeira causa. 7

“A cannabis é usada há muitos séculos e atualmente é consumida por milhões de pessoas em vários países [...] É difícil acreditar que uma síndrome distinta causada pela cannabis nunca antes tenha sido notada, seja por usuários, seja por profissionais.”

Pode haver muita verdade nessa afirmação, mas os autores não foram muito longe nas investigações para realmente provar todo o resto errado

 

Distúrbio Estomacal Relacionado à Cannabis em Alta: Quão provável é desenvolver CHS?

Quão provável é uma pessoa desenvolver CHS?
 

Outras opiniões sugerem que talvez não seja a própria cannabis a responsável pelos sintomas, mas os produtos químicos usados no cultivo das plantas. Essa teoria pode ter fundamento, já que não há relatos de CHS em lugares como Índia e Ásia, onde a cannabis é cultivada de modo natural. 

5. Quais Tratamentos Existem para a Síndrome da Hiperêmese Canabinoide?

Até o momento, não foram encontrados tratamentos médicos eficientes para aliviar os sintomas da Síndrome da Hiperêmese Canabinoide. Isso significa que, infelizmente para os usuários, a única medida disponível para interromper a náusea, vômito e dor abdominal é parar de consumir maconha em todas as suas formas. 

Após interromper o uso, os sintomas geralmente reduzem nas primeiras 24 a 48 horas, a menos que o paciente volte a consumir antes desse período. Parar de usar cannabis não é uma solução temporária, mas sim definitiva para o quadro, já que os sintomas podem retornar até meses ou anos depois ao retomar o uso. 

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Curso médio da doença e tratamento da CHS

Curso médio da doença e tratamento da CHS.
 

Tratamentos de curto prazo para aliviar os sintomas incluem alguns dos listados abaixo. Pacientes podem precisar de alguns dias de internação hospitalar.

  • Tomar banho ou ducha quente;
  • Reposição intravenosa de líquidos para evitar desidratação;
  • Medicamentos para reduzir o vômito, embora nem sempre sejam eficazes;
  • Analgésicos para dor abdominal;
  • Inibidores da bomba de próton para diminuir inflamação estomacal;
  • Aplicação de loção ou creme de capsaicina na barriga para aliviar a dor e reduzir a náusea;
  • E medicamentos à base de benzodiazepínicos para relaxar.

Além de tratar os sintomas agudos, é preciso abordar questões secundárias que o distúrbio pode causar, incluindo tratamentos de suporte como reposição de eletrólitos para corrigir desequilíbrios devido ao vômito repetitivo.

Por Que Banhos Quentes Ajudam a Melhorar a CHS?

Ao ler que banhos quentes são reportados como o tratamento mais eficaz para a CHS, talvez você se pergunte por que exatamente isso acontece. Existem três hipóteses principais para o efeito.

A primeira acredita que há componentes psicoativos hipotérmicos nos canabinoides e que os banhos quentes regulam a temperatura corporal do usuário. A segunda sugere que nossos receptores CB1 ficam próximos ao sistema de termorregulação, no hipotálamo, e a água quente ajuda nesse ajuste. 8 9

 

Síndrome da Hiperêmese Canabinoide (CHS) Explicada: Banhos e duchas quentes ajudam a aliviar a CHS.

Há diferentes teorias sobre por que banhos e duchas quentes aliviam a CHS.
 

A terceira hipótese propõe que a água quente pode direcionar o fluxo sanguíneo para longe do intestino, em direção à pele, e assim 'distrair' as sensações de enjoo. No entanto, pesquisadores não estão totalmente convencidos dessas três teorias, e surgiu uma nova explicação que parece mais promissora.  

Essa última teoria propõe que em temperaturas muito altas, acima de 43°C, ou por meio da capsaicina, os canais iônicos TRPV1 se abrem, produzindo efeito antiemético. Portanto, se o paciente com CHS conseguir ativar seus canais TRPV1 através de calor ou capsaicina, pode conseguir combater a êmese (vômito). 10 11

6. A Síndrome da Hiperêmese por Cannabis é Realmente Nova?

Ao longo desse artigo, e ao aprofundarmos a pesquisa, observamos a ênfase sobre como esse é apenas um distúrbio descoberto recentemente. Contudo, investigando mais a fundo, verificamos que isso não corresponde totalmente à realidade.

O primeiro relato adequado da CHS ocorreu em 2004, por J.H. Allen e outros pesquisadores. Além disso, no livro de 2002 de Mitch Earleywine, "Understanding Marijuana", o autor faz referência a escritos árabes do século XI que já relatavam esses efeitos de náusea causados pela cannabis. 

"O uso regular de haxixe pode levar a vômitos contínuos e morte", indicavam os escritos.

Por fim, tais efeitos colaterais de vômito e náusea já estavam descritos na bula do Marinol, nome comercial para dronabinol, um medicamento à base de THC aprovado pela FDA em 1985

7. Conclusão

Para chegar a uma conclusão sobre a CHS, devemos recorrer a uma das declarações mais famosas da filosofia:

"Só sei que nada sei" – Sócrates (470 – 399 a.C.)

Pode até soar como piada, mas a verdade é que, antes de qualquer diagnóstico, ciência, medicina ou qualquer outra área responsável precisa realmente ter certeza do que está fazendo e dizendo

Infelizmente, até hoje sabemos apenas a ponta do iceberg sobre a cannabis. Ainda há muito o que aprender sobre essa planta e seus possíveis benefícios e efeitos colaterais, de modo que nenhuma hipótese deve ser totalmente confiada até que o contrário seja provado. 

 

 

AVISO MÉDICO

Este conteúdo é apenas para fins educacionais. As informações aqui apresentadas derivam de pesquisas realizadas a partir de fontes externas.

REFERÊNCIAS EXTERNAS

  1. "Cannabinoid Hyperemesis Syndrome" Jonathan A. Galli, Ronald Andari Sawaya e Frank K. Friedenberg. Dezembro de 2011. 
  2. "Hyperemesis gravidarum and placental dysfunction disorders" Heleen M. Koudijs, Ary I. Savitri, Joyce L. Browne, Dwirani Amelia, Mohammad Baharuddin, Diederick E. Grobbee e Cuno S. P. M. Uiterwaal. 
  3. "Cannabinoid hyperemesis: cyclical hyperemesis in association with chronic cannabis abuse" J. H. Allen, G. M. de Moore, R. Heddle e J. C. Twartz. Novembro de 2004.
  4. "Cannabinoid Hyperemesis Syndrome" Erik Messamore para 15-Minute Pharmacology no YouTube. Maio de 2020.
  5. "Effects of the 2009 Medical Cannabinoid Legalization Policy on Hospital Use for Cannabinoid Dependency and Persistent Vomiting" Mustafa Al-Shammari, Karina Herrera, Xibei Liu, Brandon Gisi, Takashi Yamashita, Kyu-Tae Han, Mohamed Azab, Harmeet Mashiana, Muthena Maklad, Muhammad Talha Farooqui, Ranjit Makar e Ji Won Yoo. American Gastroenterological Association (AGA), julho de 2017.
  6. "What is the scope of marijuana use in the United States?" National Institute on Drug Abuse (NIDA), atualizado em julho de 2020.
  7. "Cannabis hyperemesis: causation questioned" A. Byrne, R.Hallinan e A. Wodak. Janeiro de 2006.
  8. "Cannabinoid hyperemesis syndrome: a case report and review of pathophysiology" Corina L. Iacopetti e Clifford D. Packer. Março de 2014. 
  9. "Cannabinoid hyperemesis and compulsive bathing: a case series and paradoxical pathophysiological explanation" Dale A. Patterson, Emmaleigh Smith, Mark Monahan, Andrew Medvecz, Beth Hagerty, Lisa Krijger, Aakash Chauhan e Mark Walsh. Dezembro de 2010. 
  10. "The functions of TRPA1 and TRPV1: moving away from sensory nerves" E. S. Fernandes, M. A. Fernandes e J. E. Keeble. Maio de 2012. 
  11. "Resolution of cannabis hyperemesis syndrome with topical capsaicin in the emergency department: a case series" Laurel Dezieck, Zachary Hafez, Albert Conicella, Eike Blohm, Mark J O'Connor, Evan S. Schwarz e Michael E. Mullins. Maio de 2017.


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