Lollipopping: Técnica para Plantas de Cannabis com Buds Maiores
- 1. O que significa lollipopping
- 2. Por que fazer lollipopping?
- 2. a. Sog (sea of green) e scrog
- 2. b. Lollipopping em autoflorescentes: benefícios e riscos
- 2. c. Por que lollipopping em plantas outdoor não É necessário
- 3. Como fazer o lollipopping?
- 3. a. Como cortar o crescimento indesejado
- 3. b. O melhor momento É antes da flora
- 3. c. Tudo de uma vez ou aos poucos?
- 4. Por que a genética importa ao tentar o lollipopping?
- 5. Conclusão
Se você não gosta de ver buds do tipo ‘pipoca’ ao cultivar sementes de cannabis, deveria aprender o método de lollipopping (ou remoção dos ramos inferiores). Lollipopping significa remover pontos de formação de buds e ramos na parte de baixo da planta porque eles não recebem luz suficiente e ficam subdesenvolvidos. Você terá melhores resultados se a planta direcionar sua energia para as colas no topo, tornando-as mais grossas e densas. Fazer lollipopping em plantas de cannabis não-autoflorescentes logo antes da mudança para 12/12 sempre vale a pena. Já nas autoflorescentes, a técnica é um pouco mais delicada e pode até reduzir o rendimento. Mas pode confiar: a qualidade dos buds restantes será incrível. Continue lendo para entender os benefícios do lollipopping, o momento certo, como garantir luz suficiente para os buds e que pontos de formação de buds devem ser removidos.
O Que Significa Lollipopping
Fazer lollipopping é desfolhar a parte de baixo das plantas de cannabis, deixando todos os ramos completamente limpos. Restam apenas alguns nós na parte superior, e a planta passa a se parecer com um pirulito (“lollipop”). Daí vem o nome.

Por Que Fazer Lollipopping?
Ao cultivar plantas de cannabis em ambientes internos, o alcance efetivo das luzes usadas é limitado. Os buds no topo recebem energia suficiente para crescerem grandes e densos, mas as flores e ramos do fundo ficam sombreados ou simplesmente fora do alcance da luz.
Observação: Mesmo que você use luzes laterais suplementares, ainda existe diferença entre os ramos superiores e inferiores. Não é só a proximidade das luzes que importa, mas também a posição do bud no ramo. A chamada ‘dominância ápice’ garante que o melhor sempre vai para o topo.
Por isso, os buds inferiores ficam pequenos, arejados e com poucos ou nenhum tricoma. Ao colher e secar esses buds, eles normalmente não têm apelo visual, potência baixa e sabor inferior. O melhor é se livrar deles e canalizar a energia da planta com a técnica do lollipopping. O lollipopping deve ser feito junto com outra técnica de desbaste chamada poda. Ambas são praticamente a mesma coisa, mas podar significa remover ramos longos que ficam na sombra ou engrossam demais o dossel.
Deixar a cannabis crescer sem qualquer intervenção ainda dará bons resultados. Mas a maioria dos cultivadores não busca só bons resultados — eles querem resultados excelentes! As plantas crescem de forma bem ramificada, com ramos saindo do caule desde a parte de baixo. Embora isso produza muitas folhas e flores, essa estrutura pode na verdade gerar rendimentos inferiores. Muitos ramos inferiores ficam sombreados pelo dossel superior. As folhas que crescem lá embaixo ficam amareladas e murchas, e os buds nessa região não atingem o mesmo tamanho e densidade dos que recebem mais luz. O lollipopping resolve esse problema removendo diretamente esses crescimentos subótimos.
Pode parecer contraproducente, especialmente para iniciantes. Como remover partes da planta pode resultar em colheita maior e melhor? Pense assim: toda parte de baixo também exige recursos como nutrientes e água. Porém, não atingem seu potencial máximo devido à falta de luz. Para mantê-las vivas, a planta precisa distribuir nitrogênio, fósforo, potássio, açúcares, água e proteínas para essas áreas. Ao remover os ramos e folhas de baixo, esses recursos preciosos ficam livres. Assim, a planta os distribui para as áreas que mais recebem luz. Isso gera crescimento intensificado e, consequentemente, flores maiores e melhores no topo do dossel.
SOG (Sea Of Green) e ScrOG
Lollipopping é uma ótima técnica complementar com qualquer método de treinamento, seja LST ou super cropping, mas é essencial no cultivo em estilo ScrOG. A ideia do ScrOG é ter um dossel plano, com todos os buds à mesma distância da luz. Nesses casos, o dossel fica tão denso que tudo que está embaixo da tela fica completamente sombreado e precisa ser removido.

E se você cultiva cannabis em um sistema SOG (sea-of-green), a necessidade de fazer lollipopping depende da altura das plantas. Muitas vezes, elas são baixas o suficiente para que a luz penetre até o solo. Assim, o lollipopping não é tão necessário.
Lollipopping em Autoflorescentes: Benefícios e Riscos
Para variedades fotoperiódicas cultivadas indoor, lollipopping é óbvio porque essas plantas têm tempo suficiente para se recuperar do estresse. Já lollipopping em autos requer muito mais cuidado. Se tudo o que importa para você é pesar mais na balança, sem olhar para a qualidade dos buds, talvez essa técnica não seja ideal. O lollipopping em autos pode causar estresse suficiente para diminuir o rendimento total. Ou não.

Para responder a essa questão, plante lado a lado com as mesmas sementes e nas mesmas condições. A única diferença deve ser podar ou não os buds inferiores. Mesmo se notar que o lollipopping levou a rendimentos menores, a qualidade dos buds será muito mais homogênea: nada de buds fracos, só flores bem formadas e densas.
Assim, em automáticas, o lollipopping pode gerar os seguintes resultados:
- Colheitas menores (quase imperceptível);
- Qualidade geral dos buds muito superior (bem perceptível).
Por Que Lollipopping em Plantas Outdoor Não É Necessário
As plantas de cannabis cultivadas ao ar livre recebem luz de modo bem diferente das indoor. O sol se movimenta no céu ao longo do dia e ilumina as plantas em vários ângulos. Assim, a maioria dos pontos de formação de buds recebe luz solar durante o dia. Claro, ainda há alguma diferença entre os buds mais altos e os inferiores devido à dominância do ápice (veja acima), mas não o suficiente para tornar o lollipopping necessário em plantas outdoor. Você pode remover a parte de baixo por outros motivos, como evitar acúmulo de ar estagnado junto ao solo.
Como Fazer o Lollipopping?
Quem já cultivou pelo menos um ou dois ciclos normalmente sabe até que altura da planta produzem bons buds. Isso depende da potência e penetração das suas luzes. Remova qualquer bud que saiba que será de qualidade inferior. Se não tiver experiência, uma boa regra é podar tudo do terço inferior da planta. Alguns até podam 50% da parte de baixo, mas aí o rendimento pode cair. Às vezes pode ser útil para lâmpadas CFL, T5 ou luzes fracas. Na maioria dos casos, não exagere.
| CFLs, T5s, LED BULBS | HPS, LED QUANTUM BOARDS | |
|---|---|---|
| PODAR: | Metade inferior da planta | 30% inferior da planta |
| MANTER: | 3-4 nós no topo | 5-6+ nós no topo |
Você também pode pensar ao contrário: ao invés de quanto podar, escolha quantos nós quer manter. Normalmente, os cultivadores mantêm intactos 4-5 nós do topo. Com luzes mais fracas, pode ser 3-4 nós.
Técnicas de Lollipopping: One-nodding
Lollipopping, basicamente, é remover as folhas e ramos inferiores e existem algumas técnicas diferentes. Antes de vermos o modo básico, conheça como cultivadores experientes fazem para mostrar que dá para ter ótimos resultados de diferentes modos e momentos, desde que a ideia principal, que é remover o crescimento inferior, seja respeitada.
Existe uma técnica relativamente nova chamada One-nodding, que também consiste em remover o crescimento de baixo mas economiza tempo e trabalho. Com ela, você só precisa fazer lollipopping no mesmo dia em que mudar o ciclo de luz para 12/12. Como o nome sugere, consiste em remover todas as folhas até o primeiro nó, ou seja, fazer o lollipopping até o último nó de cada ramo no dia da virada para 12/12. Não estamos dizendo que essa técnica é melhor do que as outras, mas é um exemplo de como é possível obter bons resultados de várias formas, desde que se retire o crescimento de baixo da planta.
Como Cortar o Crescimento Indesejado
O lollipopping pode ser feito à mão ou com instrumentos como tesouras ou podadores. O que for mais prático. É melhor remover um ponto de bud quando ainda está pequeno, pois a planta não gastou muita energia nele. Nesse caso, arrancar com as unhas é mais fácil. Mas se o galho lateral a ser removido estiver grosso ou lenhoso, use tesoura. Ela deve estar limpa e, de preferência, esterilizada com álcool se você for fazer vários cortes.

Comece removendo a folha grande o mais próximo possível do caule/ramo. Depois remova o crescimento secundário — o futuro ponto de bud — que nasce do nó.
O Melhor Momento É Antes da Flora
Quase todos concordam que lollipopping é uma técnica estressante e pode atrasar o crescimento por alguns dias. Pode até prejudicar a colheita se feito errado. Por isso, o segredo é escolher o momento ideal para causar o menor dano possível. Recomenda-se começar o lollipopping no final da fase vegetativa. Em strains fotoperiódicas, faça 2-3 dias antes do flip para 12/12. Em autoflorescentes, o ideal é quando aparecerem os primeiros pistilos (pelos femininos) nos nós, mas antes das flores de fato começarem a se formar no topo. Depois, pode ser que sobre algum ramo no terço inferior: tudo bem podar depois.

Na prática, muita gente decide podar as plantas quando já estão florindo e fica claro quais buds têm potencial e quais não. Por isso, muitos fazem o lollipopping na primeira semana de flora, 2 semanas depois ou até mais tarde. Para alguns, isso é uma prática padrão.
Se você pesquisar em fóruns de cannabis, verá dezenas de opiniões. Alguns dizem que as duas primeiras semanas de flora são mais vulneráveis e, portanto, o lollipopping deve ser feito depois: na semana 3, 4, ou até após o alongamento total da planta, semana 5 ou 6. Outros afirmam que quanto antes terminar o estresse do lollipopping, melhor.
Não faça adivinhações! Realize o lollipopping antes mesmo de começar a flora. Deixe a planta focar na floração e não em se recuperar de estresses. Lollipopping na veg exige planejamento e habilidade, mas vale a pena.
Tudo de Uma Vez ou Aos Poucos?
Faça do jeito que menos estressa a planta. Em automáticas, é mais seguro fazer uma poda leve no início e ver como a planta reage. Se ela não travar, pode podar o resto de uma vez. Ou, se preferir, pode remover folha por folha, bud por bud, só certifique-se de que os pontos de florescimento recebam luz suficiente. Mas lembre-se: assim, o lollipopping vai prolongar-se até bem dentro da flora, o que pode causar ainda mais estresse. Qualquer técnica de alto estresse deve ser usada apenas em plantas saudáveis e vigorosas. Se as plantas já estiverem travadas, deixe quieto até recuperarem.
4. Por Que a Genética Importa ao Tentar o Lollipopping?
A genética da sua planta sempre tem papel fundamental em como ela reage aos estresses e fatores ambientais, incluindo lollipopping e podas em geral. Como você já viu neste artigo, lollipopping pode ser bem estressante, especialmente para autoflorescentes. O pior é causar estresse nelas, pois você corre o risco de induzir a flora bem antes do tempo ideal, reduzindo muito o rendimento. Mesmo com boa luz, genética instável pode fazer com que as plantas tenham reações negativas à poda, por isso é tão importante pagar um pouco mais para obter sementes de um banco confiável como a nossa Fast Buds. Muitos cultivadores já viram autos de bancos desconhecidos que não suportam nem a menor poda, resultando em apenas 7 gramas de flor utilizável, um desperdício de espaço e energia.
Isso não se aplica só às autoflorescentes, pois há muitas strains fotoperiódicas com genética sensível. Já aconteceu de cultivadores fazerem lollipopping em fotoperiódicas após as duas primeiras semanas de flor e todas virarem hermafroditas devido ao estresse, arruinando a colheita. Por isso, é crucial pesquisar a genética e o banco antes de comprar e cultivar. Ao aplicar essa técnica, é interessante ter mais de uma planta e testar: faça um lollipopping pesado em uma e deixe a outra intacta. Cultive ambas e observe o desenvolvimento — assim saberá se a técnica funciona no seu jardim ou se as plantas vão travar.
5. Conclusão
Embora a técnica de lollipopping em autoflorescentes e fotoperiódicas não seja exatamente controversa, ainda existem muitas variáveis e dúvidas. Não escolha uma strain só pelo nome, pesquise a linhagem e descubra o que funciona para você! Se já tem experiência com poda ou lollipopping e quiser dar dicas sobre como ajudar as flores a pegar luz suficiente, comente abaixo!
Referências Externas
- Photosynthetic response of Cannabis sativa L. to variations in photosynthetic photon flux densities, temperature and CO2 conditions, Physiology and molecular biology of plants: an international journal of functional plant biology. Out 2008.
- An Update on Plant Photobiology and Implications for Cannabis Production, Frontiers in Plant Science. Março 2019.
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