O Dicionário da Maconha: Gírias de Stoner Explicadas
- 0. a. O significado de 'gíria'
- 1. Gírias para falar 'maconha' (a planta)
- 1. a. Weed, bagulho, mary jane
- 1. b. Erva, cânhamo, ganja
- 1. c. Bud ou buds, nug e flor
- 1. d. Hash e grass
- 1. e. Dope, skunk e dunk
- 2. Apelidos para consumidores de cannabis
- 2. a. Stoner, maconheiro, toker
- 2. b. Junkie ou burnout
- 2. c. Ent
- 2. d. Growers e floristas
- 3. Termos para efeitos da cannabis
- 3. a. High, stoned, baked ou blazed
- 3. b. Couch-locked, fried, blitzed, ripped e mais
- 4. Cottonmouth, munchies e outros efeitos colaterais
- 4. a. Munchies
- 5. Sinônimos relacionados ao ato de fumar
- 5. a. Sesh, hotboxing e clam baking
- 5. b. Burn one e 4:20
- 5. c. Chiefing ou ser um bogart
- 6. Maneiras de chamar o cigarro de maconha
- 6. a. Joint, spliff, pinner e king-size
- 6. b. Roaches e snipes
- 7. A história do movimento contracultural da cannabis
- 8. Resumindo
Ser um novo membro da comunidade de consumidores de maconha significa entrar em um mundo de rituais e gírias dos quais você não fazia ideia. E, como novato, provavelmente já ficou confuso algumas vezes ao ouvir certos termos que pareciam totalmente aleatórios. Não se preocupe, a maioria de nós já passou por isso, e logo essas palavras vão fluir naturalmente, é só questão de prática, wink-wink.

Além disso, quando você finalmente se adapta como um verdadeiro stoner, essas metáforas passam a fazer sentido, e quem disse que você não pode inventar sua própria terminologia também? A maioria dos stoners é quase como poeta na hora de criar gírias. Assim como toda subcultura, a canna culture vem recheada de termos variados, alguns até bem criativos. Muitas palavras e expressões são usadas no mundo todo, enquanto outras são bem regionais. Pode parecer um universo grande e novo para os iniciantes, mas a maioria dessas palavras já está bem consolidada no léxico atual, graças à crescente aceitação da cannabis pela mídia e também pela sociedade em geral.
O Significado de 'Gíria'
Você sabia que algumas pessoas acreditam que a palavra 'gíria' vem de 'street-language'? Pois é, hoje vamos aprender exatamente isso, a terminologia informal do mundo da cannabis.
Este dicionário da maconha inclui referências a gírias culturais, de consumo e alguns termos e frases bem específicos. Algumas das expressões mais comuns no mundo da cannabis incluem:
- Stoner, que é o usuário frequente;
- Joint, baseado, cigarro de maconha enrolado;
- Munchies, aquela fome incontrolável causada pela maconha;
- E cottonmouth, outro efeito colateral clássico, a boca seca.
Vamos começar a aula de linguística dos stoners.
1. Gírias para Falar 'Maconha' (A Planta)
Quando se trata de maconha, surgem novas palavras e termos o tempo todo, principalmente porque assim que as autoridades ficam sabendo de alguns nomes, os stoners criam novos.
“A terminologia não enfatiza exatamente a ilegalidade: é a ilegalidade que criou a necessidade da terminologia,” -Jonathon Green, lexicógrafo de gírias. 1
Segundo Green, drogas são umas das 'campeãs de venda' das gírias, pois gírias e coisas-que-não-se-pode-mencionar-em-conversas-formais andam juntas. Então vamos começar com as maneiras mais populares de dizer maconha ou cannabis.
Weed, Bagulho, Mary Jane
Todos nós provavelmente já conhecemos. As pessoas começaram a chamar cannabis de 'weed' (erva) porque a planta cresce como mato, nasce fácil em qualquer lugar úmido e quente, igual às ervas daninhas comuns. Mary Jane é um termo antigo, da mesma época do 420, um jogo de palavras com a pronúncia espanhola marijuana, que lembra muito Maria Juana, ou seja, Mary Jane.
Erva, Cânhamo, Ganja
Esses termos costumam enfatizar o lado botânico da maconha. Em hindi, a tradução literal de maconha é ganja.
Bud ou Buds, Nug e Flor
Bud é uma palavra importantíssima pra lembrar. Ela se refere à flor da planta, quando colhida, curada e pronta para consumo. Outro termo é nug, normalmente usado para falar das flores de qualidade premium.
Hash e Grass
Hash e grass são nomes populares, principalmente em países de língua alemã, como Alemanha e Áustria, mas também foram usados nos EUA nos anos 1970.
Dope, Skunk e Dunk
Escutamos dope principalmente em músicas de rap, mas essa gíria veio da Irlanda, onde serve para falar de cannabis no dia a dia. 'Skunk' também é comum no norte do Reino Unido, como Escócia e Irlanda do Norte. 'Dunk' se refere à cannabis de alta qualidade. A lista de apelidos pra maconha é infinita, mas alguns dos nossos preferidos incluem:
- Astro turf
- Espinafre do Satanás
- Alface do Diabo
- Cheeba
- Yarndi
- Verde Alegre
- Tabaco Maluco
- Verde de Maria
- Bagulho Fedorento
- Kale do Pecador
- O Alfafa do Chefão
2. Apelidos para Consumidores de Cannabis
Chamar o outro de consumidor não soa tão legal, né? Felizmente há muitos termos que usamos pra nos identificar como usuários de maconha.
Stoner, Maconheiro, Toker
Esses são os nomes mais comuns para quem curte fumar grandes quantidades de maconha, ou faz isso com frequência.

Junkie ou Burnout
Junkie e burnout descrevem aquele stoner que consome muita maconha. Burnout refere-se a quem vive num estado constante de falta de foco e apatia, tipo Leo de That 70s Show ou o Cara de O Grande Lebowski.
Ent
Esse é um termo nerd para chamar stoners e foi tirado de O Senhor dos Anéis. Ents são árvores vivas, e o uso de “árvores” como gíria pra maconha provavelmente surgiu dos nerds que ligaram os pontos.
Growers e Floristas
Pessoas que cultivam plantas são growers, inclusive quem planta cannabis, faz sentido né? Alguns românticos ainda preferem se chamar de floristas.

Inclusive, existem floristas de verdade que montam lindos buquês de buds para pessoas sortudas.
3. Termos para Efeitos da Cannabis
Há inúmeras formas de falar dos efeitos da cannabis em nós, usuários. Veja algumas das descrições mais comuns dos efeitos da cannabis.
High, Stoned, Baked ou Blazed
O termo high é conhecido quase no mundo todo, principalmente em países de influência anglófona. Outra forma comum de dizer que alguém está sentindo os efeitos é stoned, vinda dos anos 1940, referência a estar desacordado após ser “apedrejado”. Mas graças a Deus, ficar chapado com maconha está longe disso.

Baked e blazed servem para descrever aquele estado da mente clássico de olhos inchados, riso fácil, lerdeza e relaxamento pós-erva.
Outro sinônimo é cooked, provavelmente inventado por algum stoner com fome, depois dos chamados munchies, que já vamos explicar.
Couch-Locked, Fried, Blitzed, Ripped e Mais
Já fumou tanto que ficou tão chapado que não conseguiu levantar do sofá? Pois é, algum stoner inteligente inventou o termo couch-locked para essa situação.
Há termos infinitos pra expressar aquele estado de estar muito chapado: blitzed, bouldered, ripped, wrecked e nosso favorito, fried. Por fim, crossfaded define quem misturou álcool e cannabis e ficou chapado e bêbado ao mesmo tempo. Assim divertido quanto parece, intoxique-se sempre com segurança!
4. Cottonmouth, Munchies e Outros Efeitos Colaterais
Se você já fumou Mary Jane, o que presumimos que sim, provavelmente já conhece os efeitos colaterais clássicos do consumo.

Além do riso fácil, talvez você tenha notado os olhos vermelhos, junto do clássico cottonmouth, a boca seca. Mantenha uma garrafinha d'água à mão, você vai precisar.
Munchies
Todo mundo sabe que fumar ativa o gorila faminto dentro de nós. E o mais engraçado é que não existe limite pros munchies, depois que você começa a comer é difícil parar.

Doces, salgado, volta pros doces e assim vai? Conhecido né? No geral, os efeitos clássicos depois de fumar um baseado são:
| Olhos | Avermelhados; queda da pressão intra-ocular |
|---|---|
| Boca | Ressecamento; ressaltando sabor |
| Pele | Sensação de frio ou calor |
| Coração | Aceleração dos batimentos |
| Músculos | Relaxamento |
5. Sinônimos Relacionados ao Ato de Fumar
Quando um stoner chama outro pra fumar, quase nunca usam a palavra 'fumar', pois existem várias formas muito mais legais de dizer isso.
Sesh, Hotboxing e Clam Baking
Uma sesh, abreviação de session, é simplesmente um encontro para fumar um baseado, blunt, spliff ou o que for.

Queimar um em um espaço pequeno e fechado, como banheiro ou carro, é chamado de hotboxing ou clam baking. Dizem que assim bate mais forte, pois cada respirada traz mais fumaça.
Burn One e 4:20
Outras expressões populares: burn one ou light up. E, claro, 420, o número da cultura stoner, sempre serve como chamado pra fumar.
"Ei, bora, já é 4:20” — mesmo quando não é esse o horário, é só um código que existe há décadas.
Chiefing ou Ser um Bogart
Quando alguém segura o baseado só pra ela numa roda, é chamada de Bogart, referência ao ator Humphrey Bogart, sempre com cigarro no filme. Outra forma é chiefing, que é não passar adiante e ficar dando tragos enormes sem compartilhar. O nome veio dos chefes indígenas que davam grandes puxadas nos cachimbos. Dependendo da região, rolam expressões como:
- Ir pra um choof
- Ficar chapado
- Férias naturais
- Soprando dragão
- Tacando fogo
- Queimar um
- Ficar frito
- Ir pro espaço
- Voando nas estrelas
6. Maneiras de Chamar o Cigarro de Maconha
Se você ouvir alguém dizer cigarro de maconha, garanta que existe testemunha porque quase ninguém usuário chama assim. Existem infinitos nomes, adjetivos e metáforas pra chamar o baseado.
Joint, Spliff, Pinner e King-Size
Um joint ou doobie é o jeito mais tradicional, consiste em papel de enrolar e filtro (ou crutch) com cannabis. Spliff implica que o baseado foi feito com tabaco misturado.

Pinners são baseados pequenos, pra fumar sozinho, pegar leve ou fazer a erva render. Já blunts ou king sizes são maiores, o primeiro usa papel de tabaco e é bom pra compartilhar em grupo. Existem também nomes como:
- Biffo ou bifta
- Bastão de beisebol
- Doobie
- Cigarro do jazz
- Torpedo
- Canhoto ou cigarro canhoto
- Foguete de bolso
Roaches e Snipes
O roach, diminutivo de barata (cockroach), é a pontinha do baseado, normalmente com gosto forte porque acumula mais resina.

Alguns stoners guardam esses roaches pra fumar em tempos de seca ou pra montar o famoso snipe ou generation joint. Esses nomes referem-se ao baseado feito com o resto dos roaches guardados. Dizem que bate forte!
O Termo Tradicional Que Está Sumindo
Falando em nomes, tem um que você com certeza já ouviu e que talvez esteja caindo em desuso: maconha, ou marihuana. Ainda é usado como sinônimo do termo científico Cannabis, vários estados usam como termo legal. Mas você sabia que a palavra marijuana é bem controversa? Um artigo de 2013 chega a perguntar: “será que a palavra marijuana é racista?”. Racista? Mesmo? Sim.
Lá nos anos 1930, no começo da guerra antidrogas de Harry Anslinger, o Departamento Federal de Narcóticos (antecessor da DEA) resolveu usar esse termo em vez de “Cannabis”. A palavra “marijuana” parece e soa mais mexicana, sobretudo para a população anglo dos EUA, que Anslinger queria manipular. O termo exótico serviu pra fazer a droga parecer ainda mais perigosa do que realmente é.
Na verdade, antes de 1910, a palavra marijuana nem aparecia na mídia americana. Era uma época em que o uso de cannabis era generalizado, inclusive em medicamentos. Só após a grande onda de imigração mexicana (890 mil pessoas entre 1910 e 1920) surgiram essas conotações racistas e o termo entrou no vocabulário público como sinônimo negativo de cannabis.
E por mais que muitos digam que já passou tempo suficiente pra esquecermos dessas raízes racistas, palavras têm poder. Afinal, já estamos em 2022…
7. A História do Movimento Contracultural da Cannabis
Pronto, agora você já conhece praticamente todos os termos usados pela galera stoner e o significado deles. Mas de onde veio tudo isso? Qual a história coletiva do movimento contracultural da cannabis? Bora mergulhar na longa e curiosa evolução do uso moderno da planta! Antes, uma rápida lição de história antiga do uso de cannabis…
Cannabis e a Humanidade na Pré-História
Temos registros históricos de uso de cannabis que remontam há milênios, mas é seguro dizer que o ser humano e a maconha se cruzam há muito tempo. Muito mesmo.
Veja só: nós (e vários outros mamíferos) temos um sistema no organismo feito pra interagir com compostos encontrados na cannabis, chamado Sistema Endocanabinoide (ECS) e existe há mais de 500 milhões de anos em mamíferos. Ou seja, somos programados pra curtir cannabis. Na antiguidade, civilizações usavam para fins medicinais e recreativos.
Primeiros Registros de Uso da Cannabis
O primeiro registro do uso da cannabis data de 2.737 a.C. com o imperador chinês Shennong, que escreveu "O Clássico das Raízes e Ervas do Agricultor Divino" e listou cannabis como medicamento para vários males, como gota, reumatismo e malária.
Pulando uns milênios, chegamos à Índia antiga, onde a cannabis era usada em cerimônias espirituais e festas. É citada no livro hindu Atharva Veda (de 1.400 a.C.) como uma planta sagrada, ligada a deuses. No Egito Antigo, a cannabis era usada tanto em comida quanto em remédios, com o primeiro registro num papiro de 1.550 a.C.
Grécia e Roma também usaram cannabis para tratamentos, mas também em festas e cerimônias. Foram os primeiros registros do uso recreativo, com muita gente aproveitando seu efeito nas celebrações.
Do Mundo Antigo aos Dias de Hoje
Poderíamos falar horas sobre o uso da planta mais queridinha do mundo antigamente, mas o papo aqui é o nascimento do movimento contracultural da maconha nos anos 1960, e como isso mudou a linguagem, principalmente em países de língua inglesa. Pra entender, precisamos começar no final do século XIX. Nesse período, vivíamos sob monopólios industriais — principalmente nos EUA — e o uso do cânhamo para produtos industriais incomodava gente poderosa, em especial a indústria do algodão e William Randolph Hearst.
Para proteger seu império do algodão, Hearst lançou uma campanha de desinformação e propaganda contra a maconha. Isso seguiu até o Marihuana Tax Act de 1937, que praticamente criminalizou o uso e a posse de cannabis. Até o termo "marihuana" fazia parte da manipulação, trazendo conotações negativas com o México. Usando esse termo “estrangeiro”, Hearst pretendia virar a opinião pública contra a maconha.
Assim começou a guerra anti-maconha. Seguiu-se a proibição completa no país e o mesmo em outros lugares do mundo. Só nos anos 1960 a cannabis voltou a aparecer com força, numa espécie de renascimento. Vale lembrar o contexto da época: a ressaca pós-Segunda Guerra passava, a guerra do Vietnã pegava fogo, e o povo buscava algo diferente.
E aí a maconha entra em cena. Por seu lado espiritual, ligação com a contracultura e o poder de reunir pessoas, tornou-se o símbolo da rebeldia contra o sistema. Os jovens daquela época não aceitavam mais as normas rígidas das gerações anteriores, abraçaram o movimento da cannabis (e outras substâncias) de corpo e alma. Isso fez surgir toda a gíria e os termos que ouvimos (ou ouvíamos até pouco tempo). Termos como "pothead", "reefer", "Mary Jane" e vários outros clássicos nasceram nos anos 60 e 70 — e foi só o começo. Com a legalização/descriminalização em vários países nos últimos anos, a cannabis ficou ainda mais popular e ganhou ainda mais nomes, frases e gírias evoluindo com o tempo.
Mas não foi só o vocabulário que mudou. A verdadeira revolução da erva trouxe uma nova perspectiva. Da ciência à vida cotidiana, mais gente passou a aceitar a cannabis como parte da sociedade, e isso é lindo. Com isso, só nos resta torcer pelo crescimento desse movimento e para que a melhor planta do mundo ganhe de vez seu espaço no nosso dia a dia. Então, vamos todos celebrar por viver numa época onde a cannabis é cada vez mais aceita. Cheers. Paz, Amor e Nuvens de Fumaça - yeah!
8. Resumindo
Não importa se metade — ou mais — dessa lista soou totalmente nova para você. A verdade é que ninguém precisa estudar vocabulário stoner, a gente aprende brincando! No fim, expressão é só isso, jeitos de se expressar, e vivemos num mundo livre, ninguém pode ditar como se fala. Então vai lá, inspire-se e invente suas próprias gírias sobre a maconha.
Esperamos que tenha encontrado alguma definição que procurava — e, se não, comente aqui embaixo para discutirmos juntos! Faltou algum termo? Ou há gírias locais que só você e seus amigos usam? Conta pra gente!
REFERÊNCIAS EXTERNAS
- "Cannabis" - Jonathon Green, 2002.
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