A Melhor Temperatura para Cultivar Cannabis
- 1. Considerações teóricas
- 1. a. As temperaturas na zona das raízes
- 2. Necessidades de temperatura em cada estágio
- 2. a. Fase de plântula
- 2. b. Fase vegetativa
- 2. c. Início e meio da floração
- 2. d. As Últimas semanas da floração
- 2. e. Secagem e cura
- 3. Quais os riscos de temperatura incorreta?
- 3. a. Quando está muito frio
- 3. b. Quando está muito quente
- 4. Como controlar a temperatura na sala de cultivo?
- 4. a. Como controlar a temperatura ao ar livre?
- 5. Considerações finais
Existe um velho ditado de que a cannabis gosta das mesmas temperaturas que os humanos. Nós nos sentimos mais confortáveis em cerca de 25°C (77°F), e quando as leituras dos nossos termômetros se desviam muito desses números, nos sentimos cada vez mais desconfortáveis. E sim, o "nós" nesta frase se refere tanto a nós, humanos, quanto à nossa planta favorita. Isso basicamente resume tudo e já é suficiente para que iniciantes cultivem uma cannabis muito boa. No entanto, se você busca a perfeição ou está lutando por cada grama extra, há muitos detalhes a considerar. Continue lendo para saber tudo sobre as melhores temperaturas para cultivar maconha.
Considerações Teóricas
Na agricultura, existe o termo temperatura base (Tb). É a temperatura mínima na qual qualquer desenvolvimento da planta simplesmente para. Para a cannabis, a Tb é relativamente alta – em torno de 10-12°C (50-53,5°F), tornando-a uma cultura sensível ao frio. Isso não significa que sua cannabis irá sofrer gravemente e morrer em temperaturas frias. Plantas maduras podem até sobreviver a uma geada ocasional, mas se você quer que sua colheita cresça ou melhor, floresça, garanta que esteja consideravelmente mais quente no seu jardim.
Outro termo interessante é Temperatura Média Diária (TMD). Ela é calculada como a média das temperaturas horárias e obviamente depende do seu ciclo de luz. Por exemplo, se você mantém a sua planta em floração no 12/12, com uma temperatura diurna de 25°C (77°F) e uma temperatura noturna de 15°C (59°F), isso resulta no mesmo TMD que manter as temperaturas em 20°C (68°F) tanto de dia quanto de noite.
Isso traz algumas implicações interessantes, como por exemplo, se você superaquecer suas plantas durante o dia, pode compensar isso com temperaturas mais baixas à noite. Para plantas em crescimento vegetativo ou autoflorescentes, é possível compensar condições de temperatura abaixo do ideal com ciclos de luz mais longos ou mais curtos. Se estiver muito quente, use o ciclo 16/8 em vez do padrão 18/6. Ao contrário, se estiver muito frio, opte por 20/4 ou até 24/0. Infelizmente, não é possível fazer o mesmo com plantas fotoperiódicas durante a floração – 11/13 para qualquer lado é o máximo de flexibilidade permitido.
As Temperaturas na Zona das Raízes
Ao pensar em plantas, as pessoas tendem a imaginar apenas a parte acima do solo, mas a estrutura radicular pode ser tão grande quanto, e certamente não menos importante. (Minhocas e toupeiras têm uma perspectiva bastante diferente, aliás.) Em termos de equilíbrio de temperatura, a zona das raízes desempenha um papel ainda maior do que caules, folhas e flores.
Pesquisas mostram que a parte visível da planta pode suportar calor e frio severos enquanto a parte subterrânea estiver aquecida e confortável. De novo, é igual a pessoas – você pode andar no inverno sem touca, mas não sem sapatos, porque os pés (raízes) são mais essenciais para manter o equilíbrio térmico do que a cabeça (folhas e flores). Este princípio é utilizado em grandes estufas comerciais, onde se economiza muito em custos de aquecimento ou refrigeração ao instalar tubos de água aquecida ou fria no substrato, não se preocupando tanto com a temperatura do ar.

Como você pode imaginar, isso dá certa liberdade, pois existem soluções baratas, mas eficazes, para regular a temperatura na zona radicular – de mantas térmicas a materiais isolantes, até aquecer ou resfriar a solução nutritiva antes de regar, entre outras opções. É definitivamente mais fácil do que travar batalhas para retirar todo o calor gerado pelas lâmpadas de cultivo no verão ou, ao contrário, manter o ambiente aquecido e ainda garantir circulação de ar no inverno.
Necessidades de Temperatura em Cada Estágio
Existem algumas variações nas temperaturas ideais entre os diferentes estágios de crescimento. Vamos analisar cada um separadamente.
Fase de Plântula
Plântulas, clones e plantas pequenas nas primeiras semanas preferem temperaturas mais quentes – 25-28°C (77-82°F). Outro fator importante é a umidade relativa (UR) – que deve ser alta (em torno de 70-80%), pois isso evita a evaporação excessiva de água enquanto o sistema radicular ainda é pequeno e pouco desenvolvido.
Na verdade, o que importa é o equilíbrio entre temperatura e umidade. Se você acha que a temperatura está errada, talvez esteja de acordo considerando a UR atual? Ou se de fato estiver errada, talvez seja melhor regular a umidade em vez da temperatura? Cultivadores experientes utilizam o valor de VPD (Déficit de Pressão de Vapor) para atingir o equilíbrio perfeito. O VPD mostra a diferença entre quanto vapor de água o ar contém e quanto ele pode conter até atingir a saturação – quando o orvalho começa a se formar.
Você pode saber mais sobre déficit de pressão de vapor neste link ou usar o calculador abaixo. Lembre-se que o calculador mostra o equilíbrio ideal entre temperatura e umidade para o desenvolvimento da planta, mas não considera problemas como mofo, podridão das flores ou oídio. Estes três não afetam plântulas, mas podem atacar sua colheita em estágios avançados da floração se houver muita umidade na sala de cultivo.
As temperaturas noturnas neste estágio podem ser 5 graus inferiores às do dia. No entanto, alguns cultivadores mantêm as luzes acesas 24h, e isso também é aceitável para plântulas.
Fase Vegetativa
Quando a planta alcança certo tamanho e inicia o crescimento vegetativo ativo (geralmente 2 semanas após a germinação), ela deixa de ser tão sensível à temperatura, mas ainda prefere ambientes quentes. A temperatura ideal durante o dia é 24-26°C (75-79°F), mas não se preocupe se ficar alguns graus fora dessa faixa. As temperaturas com as luzes apagadas podem cair um pouco mais que nas plântulas – entre 5 e 10 graus.
Início e Meio da Floração
Assim que inicia a formação das flores, as exigências de temperatura mudam novamente, desta vez de modo mais drástico. Plantas de cannabis em floração prosperam melhor em temperaturas mais frias – por volta de 22-25°C (72-77°F). Isso segue o padrão natural – a floração começa no fim do verão, quando o clima esfria. Baixar a temperatura na sala de cultivo é mais um estímulo para que a planta acelere a floração antes que seja tarde demais.
Além disso, temperaturas mais baixas ajudam a preservar o aroma das flores (reduzindo a evaporação dos terpenos) e sua potência na forma de THC e outros canabinoides. A queda de temperatura à noite pode ser a mesma que antes – 5 a 10 graus a menos.
| Estágio de Crescimento | Temperatura Diurna | Queda Noturna | VPD |
|---|---|---|---|
| Plântula | 25-28°C (77-82°F) | 5 graus | 0.6-0.7 |
| Veg | 24-26°C (75-79°F) | 5-10 graus | 0.8-1.0 |
| Floração Inicial | 22-25°C (72-77°F) | 5-10 graus | 1.0-1.5 |
| Floração Final | 21-23°C (70-73°F) | 5-10 graus | 1.1-1.5 |
| Secagem/Cura | 15-21°C (60-70°F) | N/A | 0.8-0.9 |
As Últimas Semanas da Floração
Quando as plantas estão próximas da colheita, vale a pena reduzir ainda mais as temperaturas diurnas – para 21-23°C (70-73°F) – pelos mesmos motivos já citados. Além de preservar terpenos e canabinoides, um ambiente mais fresco ajuda a evitar a formação de foxtails e, no geral, deixa as flores mais compactas e densas.
Temperaturas mais baixas, especialmente à noite, também ajudam a realçar antocianinas – pigmentos naturais responsáveis por tons roxos e outros. Caso deseje isso, garanta quedas noturnas de até 10 graus, mas não abaixo da temperatura base de 10-12°C (50-53,5°F). Fique atento para mofo, podridão das flores e oídio – quando o frio aumenta muito e surge orvalho, o risco dessas infecções fúngicas também aumenta.

Secagem e Cura
Em geral, quanto mais lenta a secagem e a cura das flores, melhor a qualidade, e para secar lentamente é preciso temperaturas mais baixas. Mas não exagere, pois quanto mais frio o ambiente da secagem, maior o risco de mofo. O ideal é entre 15-21°C (60-70°F). O VPD ideal é em torno de 0,8 (veja calculadora acima).
Quais os Riscos de Temperatura Incorreta?
Manter a temperatura do seu cultivo dentro dos limites ideais ou aceitáveis nem sempre é fácil, então é importante conhecer os riscos de ultrapassar esses limites e saber quais sinais indicam problemas.
Quando Está Muito Frio
Já citamos que temperaturas abaixo de 10-12°C (50-53,5°F) paralisam o desenvolvimento da cannabis. Um ambiente frio pode atrasar o início da floração, até mesmo em autoflorescentes. Porém, não precisa chegar à temperatura base para que o crescimento diminua – isso já pode ser notado abaixo de cerca de 20°C (68°F).
A geada é fatal para plântulas e plantas pequenas, mas plantas maduras nas últimas semanas podem suportar noites ou manhãs frias (especialmente se o frio atinge apenas o solo) e se recuperar durante o dia quando a temperatura sobe. No entanto, com períodos prolongados de frio intenso, as flores e folhas começam a morrer e ficam pastosas quando descongelam.

Quando Está Muito Quente
Ambientes quentes em salas de cultivo são muito mais comuns. Isso ocorre porque as lâmpadas de cultivo produzem muito calor. O problema é ainda maior quando se usa HPS. Felizmente, cada vez mais cultivadores estão trocando por LEDs, que aquecem menos.
Quando a temperatura passa de 30°C (86°F), as plantas começam a ficar estressadas e seu desenvolvimento desacelera. Podem apresentar sintomas de estresse térmico, como as bordas das folhas enrolando e a formação de foxtails nas flores. Foxtailing se manifesta no surgimento de brotos jovens finos crescendo sobre flores mais velhas.

Foxtailing é um caso extremo. Mais frequentemente, temperaturas elevadas durante a floração resultam em flores soltas e esponjosas. Obviamente, isso diminui seu apelo. Além disso, calor extremo faz os terpenos evaporarem mais rápido, tornando o produto final sem aroma, e provavelmente também reduzindo a produção de THC, deixando as flores menos potentes. Em situações extremas, as folhas podem amarelar e morrer prematuramente. Se a planta estiver com excesso de nutrientes e as pontas das folhas queimando, esses sintomas tendem a piorar com o calor excessivo.
Também é importante não esquecer das pragas. Ambiente quente e úmido é perfeito para a maioria delas, e se multiplicam rapidamente. Além disso, plantas estressadas – seja por calor, frio ou outros fatores – são menos resistentes a ataques de pragas e doenças.
Como Controlar a Temperatura na Sala de Cultivo?
Vamos do mais óbvio ao mais criativo:
- Exaustores. Além de fornecer CO2 fresco para fotossíntese, os exaustores também extraem o calor gerado pelas lâmpadas. Em geral, são controlados pelo mesmo timer das luzes. Além de escolher um modelo com capacidade suficiente, recomendamos optar por aparelhos com controle de velocidade ou, melhor ainda, sensores de temperatura e umidade.
- Ar-condicionado. Não é a opção mais óbvia para amadores. Por um lado, o ar-condicionado permite manter facilmente o ambiente ideal. Por outro, é necessário instalar uma fonte de CO2 já que não haverá entrada de ar fresco de fora, e normalmente é do ar externo que as plantas obtêm CO2.
- Aquecedores. São úteis quando a tenda de cultivo está um local externo ou garagem, especialmente no inverno. Lembre-se que eles podem deixar o ar muito seco e, se possível, prefira radiadores em vez de convectores.
- Ventiladores oscilantes. Aumentar a circulação de ar na área de cultivo tem muitos benefícios. Eles transportam CO2 para folhas e flores, evitam ar parado (principal causador de mofo), fortalecem os galhos com movimento e melhoram a penetração de luz, já que os buds inferiores recebem luz indireta. Entretanto, um dos principais benefícios é regular a temperatura. O vento deixa tudo mais fresco, e o ar em movimento impede a formação de “bolsões” quentes na copa.

- CO2 Elevado. O nível ambiente de CO2 em uma residência pode ir de 400 a 1000 ppm, e isso já é suficiente para o cultivo normal. Se as temperaturas passarem dos 30°C (86°F), é possível compensar elevando o CO2 até 1500 ppm. Alguns chegam a ir além, mas lembre-se que trabalhar em um ambiente cheio de CO2 pode ser prejudicial ou até perigoso.
- Ajuste do Ciclo de Luz. Já mencionamos isso. Se estiver frio, acrescente horas de luz, como 20/4 em vez de 18/6. Se estiver quente, reduza para 16/8. Isso é fácil para plantas em vegetativo e autoflorescentes, mas não se aplica a fotoperiódicas em flor – ali, pouco se pode alterar o ciclo 12/12. Alguns experimentam ciclos exóticos como 6/2, ou seja, 6 horas de luz e 2 de escuridão, repetidos três vezes ao dia, resultando em 18/6.
- Aquecendo/Resfriando o Meio. Como a temperatura na zona das raízes é ainda mais importante que na parte aérea, é fundamental garantir que as raízes nunca fiquem frias nem quentes. Isso inclui sombrear os vasos do sol e das lâmpadas, cobrir o solo externo com mulch, usar mantas térmicas, colocar radiadores ao nível dos vasos, ou resfriar/aquecer a água da rega. Em sistemas hidropônicos (DWC), a solução nutritiva deve estar em torno de 18-20°C (65-68°F).
Como Controlar a Temperatura ao Ar Livre?
No cultivo outdoor, o controle é mais limitado, mas há algumas medidas possíveis. Se o calor for um problema, plante em locais sombreados no período mais quente do dia (início da tarde) ou use tela de sombreamento. Cubra o solo com uma camada grossa de mulch. Se cultivar em vasos, evite que fiquem expostos diretamente ao sol, ou as raízes podem literalmente cozinhar.

Se o problema for o frio, escolha uma variedade que termine o ciclo antes do frio intenso do outono. Às vezes, cultivar uma autoflorescente nos dois meses mais quentes do verão é a única escolha. Prefira locais voltados para o sul ou próximos a muros que bloqueiem o vento norte. Cerque o local com arbustos altos e espessos, mas de modo que não façam sombra nas plantas – ótima proteção contra ventos frios. Prefira cultivar em vasos em vez de canteiros elevados – assim é possível levar as plantas para dentro de casa à noite ou durante uma onda de frio.
Considerações Finais
A temperatura pode ser o fator mais importante para o sucesso ou fracasso do seu cultivo de cannabis. Arguivelmente, ela é mais importante até que a quantidade de luz recebida. Sempre fique atento às temperaturas no seu jardim, e esperamos que nosso artigo tenha trazido bons insights de como alcançar o ambiente ideal. Boa colheita!
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